Você é um trader ou um investidor?

Por Jose Gaspar em 27 de março de 2017 às

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Muitas pessoas consideram que um trader é um indivíduo que compra e vende ativos financeiros com o objetivo de ter lucro rápido e fácil. Enquanto um investidor seria alguém respeitável dentro de um terno risca de giz que, com certo altruísmo benevolente, acredita em determinada empresa e coloca parte de seu vasto capital nela, sem vistas a lucro imediato.

Esta divisão, apesar de estereotipada, é muito presente em nossa sociedade. A figura do especulador é geralmente associada a um indivíduo egoísta que busca lucro sem se preocupar com o resultado social de sua atividade. Já o investidor, de alguma forma, estaria acima do lucro, possuindo um ingrediente humanitário, filantrópico ou abnegado.

Acredita-se também que um trader faria operações de curto e curtíssimo prazos, às vezes de poucas horas, como no day trade, e que, por isso mesmo, essas operações seriam mais arriscadas, quase como jogar num cassino. Enquanto o investidor correria um risco menor, pois visaria o longo prazo, mantendo suas ações por anos a fio.

Outra diferença entre os dois seria que o trader usaria a análise técnica, uma espécie de bruxaria com números muito próxima do jogo de búzios ou do tarô, enquanto o investidor, sabiamente, analisaria os fundamentos da empresa, buscando entender as entranhas contábeis que a mantém de pé.

Acontece que, como todos os estereótipos, quando observamos a realidade mais de perto essas divisões nem sempre são tão claras. O mundo nunca é preto e branco.

Realmente existe, como já vimos em artigos anteriores, uma diferença entre os operadores do mercado no que diz respeito ao prazo operacional. Alguns compram e vendem ativos dentro de um mesmo dia, outros com prazos de semanas, meses ou anos.

Outra diferença real diz respeito a forma de tomar as decisões de compra e venda dos ativos: análise técnica e análise fundamentalista. Mas, tirando isso, os demais contrastes estão mais ligados a folclore e clichês do que a realidade.

Sem entrar em nenhum tipo de demonstração matemática, vejamos o risco, por exemplo. Realizar uma operação de curto prazo envolve necessariamente menos risco inerente do que uma operação de longo prazo. Isso é bem lógico. A probabilidade de uma queda drástica no preço de um determinado ativo é maior quanto maior o prazo da alocação. Ou seja, é exatamente o contrário do que muitas pessoas acreditam. Operadores de curto prazo, usualmente, correm menos risco do que os de prazo maior. Em geral, um trader de curto prazo sabe antecipadamente o ponto exato onde vai vender o ativo se ele der lucro ou se der prejuízo. A perda à qual ele está exposto é conhecida e controlada. Portanto, comprar e vender um ativo dentro de um período de uma hora é muito menos arriscado do que comprá-lo e mantê-lo indefinidamente sem nenhum tipo de plano de saída.

É evidente que operadores de longo prazo podem realizar trades extremamente disciplinados e controlados, mas esse controle não tem relação com o prazo operacional e sim com o profissionalismo do operador.

Comprar ações de empresas “sólidas” acreditando que elas não vão desvalorizar simplesmente porque você está visando o longo prazo é uma das maiores falácias do mercado financeiro.

No final das contas todos os agentes do mercado estão comprando e vendendo com o mesmo objetivo: lucro. Assim, além do prazo operacional e da estratégia de operações, não existe uma diferença real entre trader e investidor. Para ter sucesso no mercado, mais do que escolher um prazo curto ou longo, você precisa ter disciplina, organização e dedicação, tanto para gerenciar os lucros quanto para gerenciar as perdas. Mais importante do que ganhar é não perder.

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